Teresa Cristina: a Imperatriz Arqueóloga

Para o primeiro ARGONAUTIKA: Simpósio Internacional de Estudos Comparados, temos como tema Teresa Cristina: a Imperatriz Arqueóloga, no mês de seu aniversário. Ainda como homenagem, a partir de Abril, até o final de Setembro, o Museu Nacional contará com a exposição temporária de mesmo nome, Teresa Cristina: a Imperatriz Arqueóloga.

A Imperatriz Teresa Cristina Maria de Bourbon, esposa de D. Pedro II, era uma pessoa com interesses e atitudes bastante surpreendentes para uma mulher do século XIX. Não era seu amor pelas artes e pela cultura que nos surpreende – ela tocava eximiamente o piano, cantava e pintava como qualquer mulher da nobreza faria – mas as formas como ela demonstrou esse amor.

Tendo se casado com o Imperador brasileiro por procuração,  Teresa Cristina trouxe para o Brasil, como dote, não joias e vestidos, mas peças arqueológicas. Ela foi a responsável pela formação da coleção Greco-Romana mais importante da América do Sul, sendo pessoalmente responsável pela descoberta de muitos dos objetos que hoje se encontram nesta e em outras coleções de importantes museus do mundo.  Teresa Cristina organizou, financiou e participou de várias expedições e escavações arqueológicas na Itália, de onde foram retirados inúmeros objetos de valor inestimável.  A Imperatriz, na verdade, ao chegar ao Brasil, trouxe não um dote para si e seu marido, mas um presente para os brasileiros, um dote cultural.  A intensa correspondência com seu irmão – Ferdinando II, rei das Duas Sicílias – transformou o que seria uma troca de presentes entre irmãos em um intercâmbio cultural importante entre dois países.

Teresa Cristina trouxe o legado dos seus antepassados para o Brasil.  Trouxe também cientistas, pintores, naturalistas, para que pudessem desenvolver, trazer e divulgar o conhecimento para e  sobre a sua nova pátria.  A importância da Imperatriz Teresa Cristina para o desenvolvimento da Arqueologia no século XIX na Itália e para a formação deste Museu – hoje conhecido como Museu Nacional, onde, ainda seguindo sua vocação, se desenvolvem pesquisas de grande importância – sempre foi subestimada.  A Imperatriz sempre foi vista como uma sombra de seu ilustre marido.  Agora, queremos desfazer essa imagem.

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